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Então você tem uma ideia de Startup Digital? Conheça 5 conceitos básicos para ser um Startupeiro

Muito se fala hoje sobre ‘o poder das startups’.

Aos olhos de pessoas com menos profundidade no assunto, tem ‘gente ficando rica da noite pro dia e sem muito esforço’.

Mas será que essa é uma verdade?

Bem, meu caro leitor…

Eu trabalho há quase 10 anos com desenvolvimento de soluções digitais e a primeira startup em que atuei como desenvolvedor foi a Empiricus.

Na época eles ainda eram uma empresa relativamente pequena (já com uma boa carteira de clientes e um modelo de negócios inovador).

De lá pra cá, eu e minha equipe nos envolvemos em dezenas de startups com modelos de negócio baseados em ambiente digital.

E se tem uma coisa que eu posso te garantir é: o ecossistema que envolve uma startup digital não é nada glamuroso, fácil ou simples.

Por trás de uma boa ideia que funciona, há sempre uma equipe dedicada em dar o seu melhor todo santo dia, em coletar feedback de clientes e seguindo o ciclo de testar, medir e aprender.

Além de ter o prazer de atuar diretamente em diversas startups, em nosso dia a dia também nos relacionamos com diversos de empreendedores aspirantes a ‘startupeiros’.

Isso é ótimo, pois é legal ver o brilho no olho de quem está com uma ideia que acredita valer a pena investir e louco pra tirar ela do papel.

Mas sabe algo mais comum do que se imagina: hoje em dia, muita gente tem ideias que acredita valerem bilhões e, antes de validar o seu modelo de negócios (fazer a lição de casa) já começa a trabalhar em propostas ‘tentadoras’ para angariar uma boa equipe de tecnologia em troca de 2% de seu grandioso projeto.

Mas, meu amigo, de nada vale uma boa ideia sem uma boa execução.

Tem gente, principalmente aqui no Brasil, que tem medo de falar sobre sua ideia, que pede para você assinar um NDA (Contrato de Confidencialidade) antes de te contar sobre o que está querendo desenvolver e já te garanto que, se você se deparar com alguém assim, esta pessoa possivelmente não sabe bem como é o ecossistema de uma Startup e que existe um longo caminho a ser percorrido entre ter uma boa ideia, saber a melhor forma de executá-la e efetivamente ganhar sua fatia de mercado com seu negócio.

Então, para que você entenda mais sobre o que é efetivamente uma Startup Digital, o caminho que esse tipo de negócio acaba trilhando desde sua concepção, passando pela validação do modelo de negócios até conquistar seu primeiro milhão (ou bilhão), elenquei 5 itens (ou podemos chamar de conceitos práticos) que todo aspirante a empreendedor de uma startup (seja ele programador, designer, publicitário ou simplesmente uma pessoa comum com uma boa ideia) deverá ter bem claro em seu mindset.

1 – MVP

Se tem uma mania que nós brasileiros temos é de confundir criatividade com inovação.

Já me reuni com diversos empreendedores que chegam em uma primeira reunião com um Power Point de 100 slides falando cada detalhe dos 4 tipos de planos de assinatura, qual informação terá no perfil do usuário com plano Free e do usuário com plano Premium, apresentando gráficos que mostram uma linha crescente a quase 90 graus a partir do seu lançamento e um plano de participação de investidores ou sócios detalhado e cheio de glamour.

Para tudo, coração!

A pergunta que costuma ‘quebrar as pernas do peão’ é: o que você já fez de forma prática que valide seu modelo de negócios e que serve de base para todo este planejamento?

É aqui que o filho chora e a mãe não vê, meu parceiro.

Não entenda mal: planejar é preciso e extremamente necessário. Mas há uma diferença descomunal entre fazer estimativas com base em estudo, pesquisa e testes com clientes reais, ao invés de simplesmente dar um google por meia hora e sair fazendo estimativas sem fundamentos práticos e concisos.

Então, se você tem uma boa ideia e acredita que ela pode ajudar as pessoas de alguma maneira, tenha consciência de que qualquer Startup Digital deve começar por um MVP, ou seja, uma versão minimamente funcional do seu produto ou serviço para angariar clientes/usuários iniciais para sua startup, validar se sua solução resolve um problema verdadeiro e se tem gente disposta a pagar por isso.

Coletar dados, ouvir (e pedir) feedback de clientes e ir evoluindo seu produto de acordo com que seus usuários lhe derem de feedback deve ser o seu objetivo principal. Já te adianto que há grande chance de ainda neste estágio da sua startup muita coisa mudar de rumo, e aqui vamos para o segundo tópico.

2 – Pivotar

Em resumo, é mudar a rota da sua startup.

É começar em um caminho e, após identificar que os clientes querem algo diferente, mudar o curso do desenvolvimento com base em DADOS, não em ‘achismo’.

3 – Construir de forma iterativa

Não lance sua startup com todas as funcionalidades que imaginou em princípio.

Escolha uma funcionalidade que represente o core principal do seu negócio e execute-a.

E neste ponto da conversa vale a máxima que diz: feito é melhor que perfeito.

Vou te dar um exemplo:

Aqui na Nano Incub nós estávamos buscando um sistema de gestão de projetos e testamos mais de 20 ferramentas online e offline.

E acredite, todas muito boas, mas sempre tinha algo em uma que não tinha em outra e acabava que ou eram inchadas demais, ou faltava algo essencial.

Uma tem controle de cliente e projeto, mas não tem fases de um projeto.

Outra tem fases de projeto mas não tem timesheet.

Outra tem módulo de cliente, projeto, fases de projeto, timesheet mas não anotações relacionadas ao projeto.

Então, por sermos uma equipe de desenvolvimento de software web e mobile, decidimos criar o nosso próprio sistema, para resolver os nossos problemas e com o principal: que nos dê a oportunidade de melhorar o que for necessário, customizar, evoluir de acordo com o que formos aprendendo e melhorando como empresa, como gestores e até a maneira correta de desenvolver projetos e gerir nossa empresa como um todo.

Mas sabe como começamos?

Excel, Trello, Google Calendar, um quadro de Scrum e Evernote.

No meio do caminho, como diretor comercial da empresa, vi que além de controlar clientes e projetos, precisávamos gerenciar nossos prospectos de forma compartilhada com todos da equipe.

Então criei um quadro no Trello com as seguintes listas:

  • Esquentar contato
  • Aguardando nosso contato
  • Prospectando
  • Enviar proposta
  • Aguardando OK
  • Em negociação
  • Negócio fechado
  • Arquivado (perdido)

Com isso, ia adicionando os prospectos como um ‘card’ em cada lista e ‘arrastando’ de uma lista para a outra o ‘card’ do prospecto de acordo com que ele ia mudando de etapa do funil de vendas.

Começou a fluir bem, apresentei para alguns amigos empresários e com isso vi que tinha aí uma oportunidade de criar uma solução web que nos desse liberdade de controlar os prospectos da mesma maneira (criar etapas do funil de vendas, gerenciar origens de prospecção, compartilhar prospectos com usuários da empresa, lançar anotações sobre cada prospecto e ter relatórios em tempo real sobre quanto em dinheiro tinha em prospecção).

Pesquisei então algumas ferramentas disponíveis no mercado e para minha feliz surpresa: todos muito bons, mas relativamente complexos e com muita funcionalidade.

Eu não precisava daquilo, minha necessidade era mais básica, mais direta, sem firula.

Então, após alguns esboços e uma força tarefa da equipe, lançamos o Ziptime, uma plataforma exclusiva para gestão de prospectos.

E advinha: ele é o MVP (um mvp mais pomposo) do nosso Sistema de Gestão de Projetos, já tem centenas de usuários cadastrados e só tende a crescer.

Tudo isso porque nos focamos em resolver um problema real, onde também sofríamos com tal problema (o que nos da legitimidade na proposta de solução) e buscamos informação com potenciais usuários, fizemos testes e a cada dia buscamos melhorar a plataforma de acordo com o que vamos sentindo necessidade e coletando feedback de usuários ativos.

Conheça o Ziptime >>

Agora vou te contar um segredo… Vem coisa boa aí!

Internamente, estamos neste momento desenvolvendo a nossa plataforma de gestão empresarial focada em agências digitais e empresas que prestam serviços com um modelo de negócios baseado em desenvolvimento de projetos.

Abriremos em breve para alguns beta testers e se você tiver uma agência digital ou se seu modelo de negócios é baseado na criação de projetos, deixe seu email no final do artigo para receber novidades quando lançarmos para testes nossa plataforma.

4 – Bootstraping

De uma forma bem simples, é o conceito de desenvolver por conta própria sua startup ao invés de buscar investimento para criar sua solução e colocá-la no mercado.

Eu e minha equipe sempre optamos por iniciar nossos projetos desta forma… Sem buscar investimento externo.

Tudo bem que somos um time com programadores, designers, analistas de marketing digital e ganhamos a vida desenvolvendo startups digitais para nossos clientes.

Mas, se você não tem know how suficiente para criar sua solução por conta própria, pode escolher dois caminhos: juntar uma grana e contratar uma equipe que consiga desenvolver sua ideia (olha o Jabá, haahahaha) ou pode angariar sócios que complementem o que você precisa para dar vida à sua startup digital.

5 – Escalável e Replicável

Duas características essenciais de uma Startup.

Quando falamos de escala, estamos dizendo que com um único produto é possível atender 1 cliente ou 1 milhão de clientes.
Quer um exemplo claro? Netflix.

Você se cadastra, paga uma mensalidade e tem acesso ao acervo completo de todo conteúdo da plataforma. Simples, fácil e lucrativo.

Ah, Hugo, mas eles não vão ter mais gasto com banda de internet, infraestrutura e coisas do tipo se tiverem 100 clientes acessando e 100 mil clientes acessando? Sim, claro.

Mas o custo não sobe a cada cliente e sim a cada lote de clientes, o que faz então desse modelo de negócios (com conteúdo fornecido com base em assinaturas) ser tão rentável e estar em grande crescimento atualmente.

Já para explicar o conceito de replicável, pense na Cola-cola. (experimente um dia com paçoca e depois me conte se é bom ou ótimo 😉

Uma única fórmula para fazer o produto e é replicada de acordo com a demanda para atender mais e mais clientes satisfeitos.

Há mais gastos com produção e entrega, mas não com a criação em si.

Agora, para trazermos isso um pouco mais perto da nossa realidade (de startup digital) imagine uma empresa que fornece software para imobiliárias.

Eles possuem templates prontos de sites, módulos específicos de cotação, galeria de fotos, pesquisa de imóveis, chat online, crm, gestão financeira e muito mais.

Para cada imobiliária atendida haverá um setup inicial do projeto com base nos ‘módulos disponíveis’ para venda e depois um plano de assinatura de manutenção mensal (recorrência).

Coisa linda e bela do pai.

Considerações finais

Como costumo falar em meus artigos: se você chegou aqui é porque este conteúdo foi interessante pra você e foi exatamente para pessoas como você que eu me dei ao trabalho de escrever este artigo.

Então, muito obrigado por se dedicar em aprender um pouco mais sobre Startups Digitais.

Este é sem dúvida um ecossistema em ascenção e há muita coisa a se aprender sobre essa forma de criar e desenvolver negócios.

Mas se fosse pra eu te dar um conselho de por onde começar: Leia o livro ‘A Startup Enxuta’ do Eric Hies.

O cara é bom, mesmo.

E o conceito que ele prega no livro tem muito a ver com a ‘mentalidade lean’ do sistema Toyota, mas para ser implementado no desenvolvimento de startups.

Na internet há muito conteúdo sobre startups digitais, diversas aceleradoras fazendo um bom trabalho e até mesmo o Sebrae vem atuando pra auxiliar com mentoria Startups que estão em fase de concepção e tração de seu negócio.

Então, te desejo sorte em sua empreitada e se tiver uma boa ideia, entre em contato conosco e vamos falar sobre seu projeto e como podemos te ajudar.

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Forte abraço.

#vamoquevamo